Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de Campo

Um blog que junta o entusiasmo pela fotografia com o fascínio pela Natureza. O objetivo é continuar a aprender através da observação e partilha.

Diário de Campo

Um blog que junta o entusiasmo pela fotografia com o fascínio pela Natureza. O objetivo é continuar a aprender através da observação e partilha.

guarda-rios inaturalist39 (1 de 1)0622.jpg

Já a tinha avistado duas ou três vezes, só que parece ser uma ave consciente do seu encanto, que não dá tempo para se deixar fotografar em movimento ou repousada. O meu primeiro golpe de sorte aconteceu há duas semanas, durante a caminhada que fiz em Belver. O resultado final não é grande coisa, mas já é algo que posso mostrar. Segundo a Wikipédia, pode pesar entre 34 e 45 gramas, o que deve ajudar a explicar como consegue ser tão furtiva. É uma ave residente em Portugal, com muitos nomes inventados pelas populações — nenhum tão perfeito quanto guarda-rios.

O abelharuco

Passadiço do Alamal, na margem esquerda do Tejo, perto de Belver

O passadiço de Alamal, na margem sul do Tejo, junto a Belver.

Passei algumas vezes nos últimos meses de comboio pela região do Médio Tejo, e fui acalentando o desejo de percorrer os vários passadiços e caminhos que vão acompanhando o curso do rio. Em junho, aproveitei um sábado (ainda sem o excessivo calor dos últimos dias) para madrugar, apanhar um comboio e caminhar um pouco junto ao Tejo, entre Belver e Alvega-Ortiga.

Comecei a caminhada em Belver, onde cheguei pouco depois das 9h num comboio regional da CP. Bastou percorrer algumas centenas de metros pela berma da estrada para chegar à ponte de Belver. É aí que começa, na margem sul, o Passadiço de Alamal, que namora o rio para oeste ao longo de dois quilómetros. Foi a parte mais fácil e bonita da minha caminhada nesse dia.

O passadiço termina na praia fluvial do Alamal, mas ainda tinha algumas horas para queimar até ao próximo comboio, por isso optei por continuar a descer o rio, até chegar Mouriscas-A. Foi uma caminhada recompensadora, mas algo exigente em partes. No total, acabei por fazer mais ou menos 20 quilómetros e regressar a casa com a memória, e o coração, cheios de aves incríveis, algumas que não sonhava que iria encontrar. Eis a lista completa desse dia: alvéola-branca, pega, milhafre-preto, águia-calçada, guarda-rios, cegonha-branca, garça-real, corvo marinho, chapim-rabilongo, abelharuco e picanço-barreteiro. As três últimas, avistei ali pela primeira vez.

Um abelharuco pousado num ramo, perto de Alvega-Ortiga

Um abelharuco pousado num ramo, perto de Alvega-Ortiga.

É difícil escolher um destaque desse dia, mas é impossível ficar indiferente ao avistamento de um abelharuco. Ainda estava a descontrair da ligeira tensão sentida por ter tido de passar, momentos antes, por uma propriedade guardada por cães algo ruidosos (a reação destes animais, condicionados a estranhar qualquer coisa fora do normal, intimida-me), quando avistei esta pequena caixa de lápis coloridos com asas. Na hora, ainda cheguei a confundi-lo com um guarda-rios, a ave com o esquema cromático mais vibrante que tinha avistado até aí.

Segundo o Aves de Portugal, trata-se de uma ave migratória, vinda do sul de África, que se reproduz no nosso país entre abril e setembro. Alimenta-se, como o nome indica, de abelhas e outros insetos voadores, sendo mais comum na região a sul do Tejo (quando a avistei, curiosamente, estava na margem norte do rio).

Se quiserem repetir as minhas pisadas, recomendo o percurso pedestre entre a barragem de Belver e Alvega-Ortiga, ambas servidas por estações da CP. Junto à barragem, há uma praia fluvial com café de apoio, pelo que, se esse for o ponto final, ainda se podem recompensar com um banho no Tejo. Se estiverem a pé, e não se importarem de fazer mais algum esforço físico, podem complementar a caminhada com o percurso mais exigente entre a barragem de Belver e a praia fluvial do Alamal. Ou, a opção mais leve, podem apanhar o comboio até Belver, percorrer o passadiço e passar o dia na praia fluvial do Alamal.