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Diário de Campo

Um blog que junta o entusiasmo pela fotografia com o fascínio pela Natureza. O objetivo é continuar a aprender através da observação e partilha.

Diário de Campo

Um blog que junta o entusiasmo pela fotografia com o fascínio pela Natureza. O objetivo é continuar a aprender através da observação e partilha.

Longa-exposição de um pirilampo a esvoaçar no Parque Florestal de Monsanto

Vi pirilampos - muitos pirilampos - pela primeira vez o ano passado, em junho, numa caminhada noturna pela floresta na Serra de Sintra. A natureza consegue surpreender-nos de muitas maneiras, mas poucas devem inspirar tantos poetas (e frustrar tantos fotógrafos) quanto uma floresta noturna habitada por pirilampos. Nessa noite, fizemos mais ou menos duas horas de caminhada na Peninha, orientados por um guia e rodeados de dezenas, se não centenas, de pontinhos de luz a piscarem por alguns instantes no escuro. A experiência é tão surpreendente que se torna fácil esquecer que estamos ali apenas como observadores descarados e desajeitados (os olhos ajustam-se à escuridão, mas os pés não tanto) de um ritual de acasalamento entre pequenos insectos. Parece um espetáculo de luz montado para nosso exclusivo benefício. Dessa vez, só trouxe comigo o deslumbramento. Sabia que seria difícil fotografar o fenómeno (o facto de iludir os sensores das nossas máquinas diz muito sobre a superioridade da visão humana), por isso foi uma das poucas vezes que prescindi de levar máquina fotográfica comigo.

Esta semana, pouco depois do pôr-do-sol, voltava de um passeio a pé por um caminho que atravessa uma parte do Parque Florestal de Monsanto, quando reparei, pelo canto do olho, num pequeno traço de luz a atravessar o ar. Estaquei imediatamente, desconcertado: seria possível haver pirilampos em Monsanto, tão perto das luzes da cidade? E já em abril? Aguardei mais alguns instantes. Aos poucos, aqui e ali, por meio de pontinhos e traços de luz, acendendo de forma intermitente, as respostas foram surgindo: sim e sim. 

Nos dias seguintes, regressei ao mesmo exato local, levando a máquina fotográfica e um tripé. A fotografia acima é o melhor resultado que obtive, após dezenas de tentativas para captar o voo noturno de um pirilampo. Está desfocada e cheia de ruído, mas foi o melhor que consegui fazer com o equipamento de que disponho e a (pouca) preparação que fiz. Enche-me, mesmo assim, de satisfação e encanto: no meio da floresta adormecida, há pequenos seres que comunicam por meio de sinais luminosos. O que dizem? Que impulso os acende? Que código Morse usarão?