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Diário de Campo

Um blog que junta o entusiasmo pela fotografia com o fascínio pela Natureza. O objetivo é continuar a aprender através da observação e partilha.

Diário de Campo

Um blog que junta o entusiasmo pela fotografia com o fascínio pela Natureza. O objetivo é continuar a aprender através da observação e partilha.

Uma cotovia-de-poupa pousada em cima de um cartaz, perto de Mourão

Conhecia o célebre livro e a editora com o mesmo nome, mas faltava a ave propriamente dita. Até porque se, antes, tivesse parado para pensar um pouco sobre o assunto, teria chegado à conclusão de que não saberia reconhecer ou descrever uma cotovia. Foi preciso parar na praia fluvial de Mourão, na albufeira do Alqueva, para fotografar uma e ir à procura de mais informações sobre esta família de aves. Segundo a Wikipédia, cotovia é um termo genérico que pode ser aplicado a várias aves, pertencentes à mesma família Alaudidae. Ou seja, uma cotovia não é apenas um pássaro.

Mesmo assim, munido só desta fotografia, achei que aquela poupa seria suficiente para estabelecer uma identificação segura. Acabou por ser um pouco mais complicado do que isso. Na realidade, há pelo menos duas cotovias conhecidas no país por usarem este original penteado: a cotovia-de-poupa (Galerida cristata) e a cotovia-montesina (Galerida theklaea). Como distinguir as duas? Pelo bico. O Aves de Portugal enumera algumas diferenças subtis entre as duas cotovias e uma delas (e a mais pertinente neste caso, dada a fotografia de perfil) é a mandíbula inferior do bico da cotovia-poupa, praticamente reta.

06 Jun, 2020

Esquivo

Esquilo vermelho em Monsanto

Já fazia o meu regresso a casa de uma caminhada pelo Parque Florestal de Monsanto quando um movimento súbito num tronco, à altura dos meus olhos, despertou a minha atenção. Só tive tempo de ver um tufo avermelhado a desaparecer tronco acima e de ouvir o que pareciam ser guinchos muito agudos e curtos. Felizmente, levava a câmara ao ombro e consegui fazer alguns disparos em rápida sequência do animal em causa - um esquilo vermelho (Sciurus vulgaris), o primeiro que avistei em Monsanto desde que por lá ando (há quase um ano) e, sorte boa, consegui fotografar.

Tirei-lhe cerca de dez fotografias, mas a única que saiu focada é a que partilho, já com ele no topo da árvore, a olhar diretamente para mim, cá em baixo. É um animal avesso à câmara e incrivelmente fugaz. Não parou quieto mais de alguns segundos, procurando sempre uma posição que lhe permitisse passar escondido ao olhar da teleobjetiva. Suponho que seja um instinto fundamental para sobreviver num parque florestal cercado pela cidade. Em 2005, estimava-se que houvesse um milhar de esquilos em Monsanto, e que a maior ameaça à sua presença ali fossem os automóveis que circulam pelas estradas que atravessam o parque, dado o número de esquilos atropelados.

O nosso amigo desta tarde parecia ter essa lição bem aprendida. Instantes depois da fotografia acima, insatisfeito com a minha incessante atenção, saltitou rapidamente de ramo em ramo e atravessou, pelo ar, a estrada no local, desaparecendo entre os ramos das árvores do outro lado da via. O encontro não durou mais de 20 segundos, mas fez o meu dia.